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Respeitando regras, alérgicos podem conviver com pets

Esqueça o pensamento radical, segundo o qual alérgicos e animais jamais poderão formar uma dupla amistosa. Cães e gatos podem conviver com pessoas que sofrem desse mal, desde que sigam algumas orientações. Manter a casa e o animal limpos, sobretudo se o pet for criado em apartamento ou dentro de casa, é a principal recomendação da presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), Marly da Rocha Otero.

“O animal costuma lamber o corpo, o que libera a proteína que causa as crises alérgicas. Por isso, é importante que ele tome banho pelo menos uma vez por mês”, explica a especialista, descartando a ideia de que apenas os pelos são responsáveis de reações alérgicas.

Para descobrir exatamente quais são as causas do problema, existem testes específicos, que identificam se a pessoa é de fato alérgica a alguma substância liberada pelo animal ou a outros fatores, como o ácaro.

Independentemente da substância que causa reação alérgica e do tipo de crise, as alergias são sempre genéticas. Por isso é importante que, se os pais têm histórico, mantenham rigidez na prevenção das crises nos filhos, como evitar a entrada do animal no quarto das crianças. Entre os diversos sintomas, o espirro, o chiado no peito, a dermatite na pele e a coceira estão ligados a processos alérgicos, como a rinite.

Quando a alergia aos animais é diagnosticada, é possível que nem mesmo a higiene dos ambientes seja suficiente para inibir as crises. Nesse caso, recomenda-se um tratamento específico, normalmente a chamada imunoterapia. Trata-se de aplicações contínuas de vacinas feitas a partir da substância à qual o paciente é alérgico, até que o organismo se torne imune. Somente os médicos especialistas em alergia são autorizados a manipular ou prescrever as vacinas.

Para evitar a separação

Segundo o médico alergista Roberto Ronald, uma forma muito simples de minimizar o risco de reações alérgicas é passar óleo mineral, facilmente encontrado em farmácias, no pelo dos pets após o banho semanal. “Isso muda a consistência da caspa do cão e impede que ela esfarele e fique no ar”, explica.

O hábito, porém, pode não ser suficiente para proteger crianças muito alérgicas. “Em casos mais sérios, não aconselho mais de um animal doméstico em casa. Eles soltam no ambiente substâncias que atraem uma série de microinsetos, como o ácaro, que também causam alergia”, diz Ronald.

Segundo ele, o ideal é que um especialista seja consultado para que o melhor seja feito. “Tive um paciente que era asmático e tinha um cachorro como único companheiro. Não pude orientá-lo a se desfazer do animal, mas recomendei que seguisse algumas medidas para preservar a saúde”, lembra.

De acordo com o alergista, novos estudos indicam a importância de um bichinho na vida das crianças, inclusive na prevenção de problemas de saúde.

A psicóloga Giovanna Guiotti confirma os benefícios desse convívio. “Para crianças pequenas que têm dificuldades de interação social e que são mais tímidas, os cães podem ajudar a reduzir o sentimento de solidão, assim como encorajar a empatia”.

Se o quadro alérgico for incontornável, Guiotti sugere que o animal seja transferido para um lar conhecido, de preferência onde o dono possa visitá-lo às vezes ou, pelo menos, de onde obtenha notícias. Além disso, a especialista recomenda a adotar de outro animal de estimação, não alérgico.

Previna-se

Limpar a casa e mantê-los no quintal não tem resolvido o problema? A imunoterapia específica é uma solução para continuar com os companheiros em casa. Saiba como usá-la de maneira proveitosa:

* Somente especialistas em alergia com autorização podem fazer o tratamento;
* As vacinas só devem ser aplicadas quando houver indicação precisa;
* O profissional deve identificar os causadores de sensibilização antes do tratamento, para que essas substâncias sejam aplicadas no tratamento;
* A imunoterapia é indicada nos casos mais graves, quando não há alternativas práticas;
* Por ser um tratamento, os medicamentos controlados devem ser mantidos até que haja eficácia da imunoterapia;
* Mesmo com o tratamento, é necessário manter a higiene dos animais e da casa, assim como as demais orientações do especialista.

Fonte:
Clic RBS (acessado em 16/03/11)

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